domingo, 21 de novembro de 2010

para quando você me amar

é tão teu esse meu coração selvagem quanto eu mesma tenho sido tua - em carne, osso, calor e toda aura. não sei o que em mim corre léguas até o teu mundo ou o que em você fecha as janelas enquanto eu faço festa nos jardins. importa apenas os teus comandos se são simples. não me decepciona. faz assim e não diz mais isso. fica. abra. pula o muro. arromba a porta. invada. eu vou bordar em cada centímetro teu o meu nome em fios de ouro porque em meu país já tremula uma bandeira nova com as cores que você escolheu. prometo te amar sempre em recíproca e primeiro até. não me decepciona. faz assim e não diz mais isso. entra. a porta tá aberta. senta. quer uma água? me ama. não desista de mim.

{...}


meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão, o meu som e a minha fúria e essa pressa de viver. e esse jeito de deixar sempre de lado a certeza e arriscar tudo de novo com paixão, andar caminho errado pela simples alegria de ser. meu bem, vem viver comigo,
vem correr perigo.

~

E.C.T.

Teço sonhos para nós dois, recheio com afeto e vontade de não acordar, com convites vermelhos em brasa, com suor de uma noite quente, com a fragilidade das mãos que não resistem ao tempo, do olhos que necessitam de vidros, de cabelos alvos, primogênito, de netos e de tudo o que anseio. Deixo a saudade do passado e transformo no próprio caminho. Levo na bagagem um diário seu para não esquecer nenhum passo, um espírito inundado de esperança, livre de maldade. Busco a sensibilidade para ouvir o vento cavalgar para qualquer lugar. Não importa se você não agarrará as minhas mãos e não virá comigo. O amor tem sempre razão e permanecerei eternamente acorrentado à vontade de permanecer livre. Não importa se você me abraçará forte e pedirá para que eu fique. Eu te encontro no fim da jornada. Não importa se você prometer não esperar e realmente o fizer. Eu tenho toda a natureza a meu favor, pronta para te transportar para onde eu bem entender. Não importa se você recusa as asas que eu tenho para te oferecer. A borboleta sempre escolhe sair do casulo. Não importa se você não quer a minha vida em suas mãos. Mesmo que tivesse, eu tenho tantas outras... tantas para amar-te quando não te amo.

{...} eu não vou desistir de você

estou dividindo com o mundo um amor nosso. para que não falte aos outros. para que eu receba em dobro.

~

domingo, 7 de novembro de 2010

_

é, a fonte secou






~

sábado, 11 de setembro de 2010

ah, coração vagabundo...

meu coração é massinha de modelar bem vagabunda. não se aguenta na caixa, vive do calor das mãos pelas quais passa, das novas formas com que estas lhe moldam. ao fim do dia eu o recolho maior: traz consigo, à sua caixa, pedaços de outros corações em tons diversos já quase absortos em seu vermelho encarnado, vermelho urucum. e sinto daqui o cheiro do alvejantes nas roupas manchadas que fingem dar outras formas a outras massas. inútil: meu coração, massinha de modelar bem vagabunda, tinge a vida de quem o ousa tocar. meu coração é brinquedo de criança. é ciranda, fantoche, ioiô, é tesoura sem ponta e muitos papéis por cortar. é gangorra em galho alto e os pés tão longe do chão - de um lado pro outro e do outro, outra vez, para cá. é queda, mertiolate e mais gangorra! porque, bem, meu coração é criança aprendendo a amar. meu coração é balão cheio de gás, menos denso que o ar. é surdo, trompete e cuíca. meu coração é todos os tambores do Pelourinho. é sinfonia de bloco-afro, não sabe ficar quieto, sambar só, não gosta de bossa. meu coração é Salvador em carnaval. é mergulho no mar do Porto em ressaca, é as ruas cheias do centro e seus bailes de máscara, meu corção é fantasia. finge que é meu, finge que é peito, mas no fundo meu coração é alma e quem tem alma não tem paz.

meu coração não se cansa
de ter esperança
de um dia ser tudo o que quer
{...}
meu coração vagabundo
quer guardar o mundo em mim


~



anunciação

sua imagem projetada na minha tela traz sua voz clara e nítida, como se você me falasse aqui ao lado. as tuas letras, formando na tela o que você quer me dizer, formam do lado de cá outra vez a tua voz. meus pés riscam no chão as tuas consoantes, me entrego às vogais e, enquanto reproduzo sons que ouvi tão pouco em verdade, o teu cheiro toma os espaços vazios e os instantes em suspensão. você, no seu canto, estanca o já e torna urgente o que ainda está por vir.



tu vens, tu vens
eu já escuto os teus sinais

na bruma leve das paixões que vêm de dentro, tu vens chegando pra brincar no meu quintal {...} a voz do anjo sussurrou no meu ouvido - e eu não duvido, já escuto os teus sinais - que tu virias numa manhã de domingo, e eu te anuncio nos sinos das catedrais.

~

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

o desejo é um tempo parado


é quando aumenta a rachadura da velha parede, se vira a folha, se pinta um fio branco na cabeleira preta, se endurece o rastro de sorriso no canto dos olhos. eu sei que a viagem é longa
- a voz vai e vem -você ta aí? você ta aí? ei, voce está aí?

VONTADE DE ABRAÇAR O INFINITO'
~

domingo, 22 de agosto de 2010

mais uma canção

sou surda aos vibratos e nada entendo de escalas. em música sinto apenas e hoje sinto tanto a falta da tua voz, das cordas do teu violão, do teu sotaque temperando aquele verso. um pedido de casamento, uma jura de amor todas as manhãs e eu vou dormir antes que acredite. mas, enquanto teu coração não bate uma canção nova aqui bem ao meu lado, ouvirei qualquer voz pra lembrar da tua cantando assim, e eu te diria assim se você caísse de para-quedas em minha casa:

coração de eterno flerte
adoro vêr-te.


~

sábado, 21 de agosto de 2010

certa manhã acordei de sonhos intranquilos

eu escreveria um livro, se já não houvesse tantos, e o ponta-pé inicial seria a frase com que dou nome a este texto, se já não a tivessem usado. agora é manhã - ou quase - e eu ainda não dormi, eu tenho caçado a tranquilidade e a maciez de uma noite serena desde que você se foi e deixou como herança a cama vazia e uma insônia inquisidora. tá, você nem sequer foi, covarde e indecente. a mim faltaram a coragem de te pedir que fique, mas que fique mesmo, ou a decência de te mandar à merda! agora, enfim, é manhã e eu dormi a tarde inteira. acordei porque sonhei contigo, porque o sol se punha em minha janela e brincava de fornalha em minha cama ou porque já passava da hora de me entregar a única coisa que permanece à disposição de minhas vontades: os três livros de política sobre a mesa. tateei as folhas velhas, espirrei feito louca e, enquanto consultava o Aurélio, qualquer coisa na novela que minha assistia fez com que eu me perdesse em questões. quando eu sonho contigo, você sente? quando você atravessa a porta e divide comigo o meu travesseiro, é encontro astral ou só o meu inconsciente te querendo aqui? quando eu toco sua pele suave e explicitamente, é você quem se arrepia ou é a projeção que ficou do que já não há? houve?

de noite na cama, eu fico pensando
se você me ama e quanto.
se você me ama, eu fico pensando
de noite na cama e quando?

de dia eu faço graça pra não dar bandeira'

~

terça-feira, 17 de agosto de 2010

quando aconteceu?

não sei. quando foi que eu deixei de te amar? quando a luz do poste não acendeu, quando a sorte não mais pode ganhar? não, não foi ontem que eu disse 'não', mas quem vai dizer 'tchau'? a gente não percebe o amor que se perde aos poucos sem virar carinho. guardar, lá dentro, o amor não impede que ele empedre mesmo crendo-se infinito. tornar o amor real é expulsá-lo de você pra que ele possa ser de alguém. somos - se pudermos ser ainda. fomos donos do que hoje não há mais, houve o que houve e o que escondem em vão, os pensamentos que preferem calar. senão irá nos ferir um 'não', mas quem vai dizer 'tchau'?

se aconteceu? não sei.


quarta-feira, 21 de julho de 2010

um relicário imenso

que eu cumprisse o que propõe o título sem verbetes, seria o ideal. que meus olhos entregassem a decupagem deste roteiro e que, para tanto, fosse prescindível o abrir e fechar da minha boca - que você me entendesse muda: é pedir demais? é drama, você diz. eu então fecho as cortinas e sorrio meu sorriso bobo de quem foi pega tirando meleca do nariz. tenho cinco anos três vezes ao dia e é bom. só assim dispo esse casaco-escudo, esse vestido-longo-comportado-preconceito, essa calcinha-pudor e todo um guarda-roupa-asneiras que angariei buscando maturidade. que você me entendesse nua: eu quero, demais. mas você é do tipo que faz amor de calça jeans, e eu li antes de assinar o contrato.

meus olhos me entregariam sem chance de mal entender, labirinto sem esquinas. você vai se perder, não vai me entender, vai ler queixa e me ver cuspi no prato que comi - e comeria, eu queria {...} até o mundo acabar, até morrer -, você vai vestir meu casaco, meu vestido, vai queimar minha calcinha. e eu não queria. você vai dizer que é fácil, era só não publicar o tal relicário. mas eu ainda espero as letras miúdas do teu contrato - ou as grandes letras em teu outdoor - que vão prometer entendimento mútuo. não me queixo, só peço que me encare a mim sendo só você. sem calcinha, sem ressalvas. sem verbetes.


{...}
milhões de frases sem nenhuma cor'
~

sábado, 17 de julho de 2010

Ciclo, o original

Escrevi pouco enquanto te vivia - porque fui feliz, porque estive em paz. Apenas a inquietação me envolve em letras e só o meu coração, quando em batedeira ou liqüidificador, dá cadência e tom ao que eu já não sei dizer. Escrevo só se não sei dizer, aliás. Na tua pele, não cravei meu léxico a unha, tratei de apagar com saliva qualquer linha que as palmas de minhas mãos traçassem. Sequer li dos jornais os cadernos de meteorologia. Soube que, teimoso - bem ao teu modo -, o nosso tempo surpreenderia em tons pastéis os que previram céu negro se você chegasse frente-fria. Outonal, tudo era prelúdio de um inverno tenro e você chovia em mim sempre que eu me abria em veraneio.


sexta-feira, 16 de julho de 2010

sem título.

palavra-cruzada sobre o livro de história, eu não consigo dormir. mas não rolo na cama, não desforro o colchão. (re)movo montanhas com o pensamento, com a mesma força sobre-humana que destelho o forro do quarto para enxergar além do céu. fecho os olhos, guarda cometas lá bem dentro. encaixoto e almoxarifo o brilho e o calor que lá fora a chuva lava. lixiviar: é a lição que a água me ensina - sobre levar, sobre seguir, ou sobre seguir e levar. enquanto voltam à terra as coisas do ar, eu ainda sinto medo e frio. me pego na contradição que é roubar o fogo do rabo de uma estrela cadente e ainda precisar de dois edredons. tudo é antítese, dicotomia, dialética. tudo é pela réplica do meu corpo no espelho sem molduras. tudo é pelo meu corpo de outra cor, outra forma, outro cheiro. e eu esfrego os pulsos no travesseiro exorcizando memórias olfativas. almíscar. ou o oposto, aliás: é o cheiro ruim que fica do que era pura essência, fumaça alta do fogo que já não há. cruzo palavras dentro dessa história, eu crio insônias.


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Ciclo.

Escrevi pouco enquanto te vivia - porque fui feliz, porque estive em paz. Apenas a inquietação me envolve em letras e só o meu coração, quando em batedeira ou liqüidificador, dá cadência e tom ao que eu já não sei dizer. Escrevo só se não sei dizer, aliás. Na tua pele, não cravei meu léxico a unha, tratei de apagar com saliva qualquer linha que as palmas das minhas mãos traçassem. Se quer li dos jornais os cadernos de meteorologia. Soube que, teimoso - bem ao teu modo -, o nosso tempo surpreenderia em tons pastéis os que previram céu negro se você chegasse frente-fria. Outonal, tudo era prelúdio de um inverno tenro e você chovia em mim sempre que eu me abria em veraneio. Há dias, eu preparo as pétalas desse texto, como a primavera abre sua primeira rosa, poucas linhas de um livro mosaico que eu quase tirei da estante porque hoje seu solo é seco, infértil e o teu vento frio não sopra em mim qualquer vontade de semeá-lo. Espero que retorne a vontade - de plantar letras, de colher você -, que o tempo seja propicio e prospero e que esse texto e todo o resto não seja uma tempestade de força vã. Que não demore.

~

terça-feira, 6 de julho de 2010

'amadurecência', por Frida

algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. tudo era misterioso e havia algo oculto; advinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminando a Terra! agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. é como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.

' a juventude plena e sem planos se esvai {...}
~

segunda-feira, 5 de julho de 2010

do Amor Inabalável

é a força antiga do espírito virando convivência de amizade apaixonada. sonho, sexo, paixão - vontade de gêmea ficar e não pensar em nada. planejando pra fazer acontecer ou simplesmente refinando essa amizade, eu vou dizendo na sequência bem clichê: eu preciso de você. mesmo que a gente se separe por um tempo ou quando você quiser lembrar de mim, toque a balada seja antes ou depois, a eterna love song de nós 2.

~

terça-feira, 29 de junho de 2010

pois é.

'distanciar...', entre todas as palavras, é a que mais me assusta. enquanto eu me distancio perco aos poucos a vontade de voltar. então eu nunca vou inteira, sempre fico um pouco, sempre deixo um tanto. e quando eu vejo já há mais de mim aqui do que lá à distância e, na verdade, eu devia ter partido. é isso. bem, eu acho.
não adianta chamar quando alguém está perdido procurando se encontrar.não vale a pena esperar
tiro isso da cabeça, ponho o resto no lugar

segunda-feira, 28 de junho de 2010

sempre haverá Chico

luz.
quero luz
sei que, além das cortinas, são palcos azuis
e infinitas cortinas com palcos atrás
arranca, vida. estufa veia
e pulsa, pulsa, pulsa mais.


mais!
quero mais, nem que todos os barcos recolham ao cais
que os faróis da costeira me lancem sinais
arranca, vida. estufa, veia.
me leva, leva longe, longe, leva mais ~

{...}

Mas, vida, ali, eu sei que fui feliz


~

sexta-feira, 25 de junho de 2010

é.

abrir os olhos e encontrar os teus fechados, as tuas mãos entre as minhas como um elo, um eu te amo mudo e os teus olhos abrindo todas as palavras do mundo. tudo ainda é como quando os meus olhos ainda sonhavam, como quando os pés dando os primeiros passos premeditavam a estrada longa. a luz azul sobre o teu ombro, os teus traços, teu desenho em aquarela e o giz-de-cera costurando teu nome no meu pulso, minha sombra nos teus dedos, nossas estradas num rumo só. ou não. ainda há algo das palavras descabidas, do vermelho do vestido do azar. ou não. porque hoje eu abri os olhos e encontrei os teus abertos, tua mão entre as minhas como um elo que não se rompe, um eu te amo que eu te ouvi dizer e os teus olhos me abrindo todos os sonhos. eu mal comecei a amar você.

e aí você surgiu na minha frente e eu vi o espaço e o tempo em suspensão, senti no ar a força diferente de um momento eterno desde então. e aqui dentro de mim você demora, já tornou-se parte mesmo do meu ser. e agora - em qualquer parte, a qualquer hora - quando fecho os olhos, vejo só você. o amor une os amantes em um ímã e num enigma se traduz: extremos se atraem, se aproximam e se completam como sombra e luz. e assim viemos nos assimilando, nos assemelhando a nos absorver. e agora - não tem onde não tem quando- quando fecho os olhos vejo só você {...}





terça-feira, 15 de junho de 2010

Carta a Um Amor Eterno (que morreu)

Me colori com o esmero que dou título a um texto, um primeiro passo numa jornada, antecipando um primeiro olhar seu em minhas cores. Te chamei amor com a certeza perene que os deuses concedem apenas ao já não amantes, aos que levam na alma completa uma sensação de metade que - ao que parece - só finda no inteiro daquela outra alma já tão distante. Como é forte um amor em desuso! Aguardei sua volta pregada a uma pedra do porto como se esperasse o regresso de um amor canoeiro há muito engolido pela maré. Desejei que as tuas asas de cera derretessem e então eu seria a pista de pouso onde tantas vezes nosso sol se pôs, eu estaria pronta a te amparar e costurar contigo outros sonhos, outros planos vívidos em pena e luz. E depois de tantos sermos nós - só ou nós e os engenhos, os gigantes, os engendros - era você. E o ponto final num texto. E a sua ausência entre os temas que eu gosto de escrever. E o meu susto ao me perceber alheia às suas células, seus sons, suas cores. A queda do meu mundo de espelhos onde eu me via pra que você olhasse me abriu as portas de uma vida minha outra vez. Onde você cabe num canto, contracendando no papel original, numa lembrança boa, em grandes lições e na gratidão pelo amor vívido, pelo amor eterno, pelo amor que morreu.


{...}

não tem desespero, não.
você me ensinou milhões de coisas.

~



domingo, 13 de junho de 2010

{...}

trocentas vezes li essa canção
e me prometi que eu amaria alguém assim
tão forte para poder cantá-la
tão lindo para poder vivê-la
amar alguém, nalgum lugar, como eu amo você



Nalgum lugar que eu nunca estive, alegremente além de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio. No teu gesto mais frágil, há coisas que me encerram ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto. Teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra embora eu tenha me fechado como dedos nalgum lugar. Me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre tocando sultimente, misteriosamente a sua primeira rosa. Ou se quiseres me ver fechada, eu e minha vida nos fecharemos belamente, de repente, assim como o coração desta flor imagina a neve cuidadosamente descendo em toda a parte. Nada que eu possa perceber neste universo iguala o poder de tua intensa fragilidade cuja testura compele-me com a cor de seus continentes restituindo a morte e o sempre cada vez que respirar. Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas. Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.



como nós nos amamos.

~

terça-feira, 11 de maio de 2010

sobre tanta falta

falta escrever em você. porque o gosto teu, já não mais prefácio, vai embora deixando em mim capítulos inteiros e eu preciso dizê-los. mais crucial até: é preciso que eu os viva. que eu te publique - trace minhas letras, organize, encaderne. que eu espalhe em outdoors esse gostar imenso, esse desejo e todos os desvarios. falta espalhar em você os meus beijos, a minha língua. falta ainda que você sinta cada pulsar. que explore cada milimetro desse terreno arrendado, arado, fértil. que invada, acampe, cultive. arrasto um comboio de ausências enquanto os sons das nossas canções embalam essa sede e toda sorte. falta que eu saiba qual palavra fecha esse texto. qual cor terá o ponto. que sabor vai ficar em epílogo. falta tua pele e o caminho tracejado, eu só vou saber escrever em você.







segunda-feira, 10 de maio de 2010

construirei nosso ninho {...}

há de ser bonito
há de ser infinito
há de ser sereno
há de ser perene
há de ser efêmero
há de ser pecado
há de ser sagrado
há de ser volúvel
há de ser ambíguo
há de ser altivo
há de ser impune
- há de ser insone -
há de ser escândalo
há de ser relâmpago, ciclone
há de ser exílio
há de ser retiro
há de ser luxúria
há de ser promessa
há de ser ternura


/e o mundo então saberá que ali
vive o amor mais doce'
~

domingo, 2 de maio de 2010

-


{...} a sede de ti prossegue'



~

terça-feira, 6 de abril de 2010

me faz ficar bem mais

eu vou te misturar com água e te moldar feito argila, maleável ao toque morno. vou arar você, meu terreno, arrancar as ervas daninhas (e os clichês), eu vou te escriturar em meu nome. eu vou desenhar minhas sílabas pelas suas pernas, sonetos inteiros, minhas digitais em suas costas, vou cravar meu nome à unha, vou pintar seus lábios com o batom dos lábios meus. eu vou te criar de uma costela minha e te botar pra crescer à minha beira, comer da minha comida, aprender o meu idioma, respirar o que eu deixar. eu vou te cantar as minhas canções e as canções que já são suas eu vou guardar pra mim, pra cantarolar pela estrada e lembrar da tua pele morena, dos teus cabelos, da tua beleza indo embora, do prefácio do teu gosto ficando em mim.


eu vou despir a alma e afogar a calma
SALIVANDO UM BEIJO TEU.

{...}


domingo, 28 de março de 2010

-



'eu sonho TANTO, amor, que quase
acordo ao teu lado. e dói um bocado
ver que a cama é para um só {...} ♪ '




~

sábado, 27 de março de 2010

minha cara

você tá mexendo comigo. você e essa sua cara que eu já vi na globo botaram meu juízo pra lá, futucaram meu bom senso e o deixaram sem ar. é esse seu jeito técnico de futebol, sua camisa branca, e eu toda líder de torcida levantando a poeira pra você passar, pra você subir as escadas, pra você parar na praia e vir me encontrar. você tá mexendo comigo e eu não vou deixar. não quero essa sua cara bonita, seu sorriso aberto, seu corpo monumental, não quero nada seu me olhando pelas quadras, me encarando de frente, me medindo 43. porque você tá mexendo comigo e eu não vou deixar que isso passe assim às claras. eu te quero na minha mesa de bar, no meu cabide, na minha estante, e eu quero pra já.

você vem parar na minha
que eu vou comer na sua mão'

{...}

sexta-feira, 26 de março de 2010

dez lugares pra beijar você:

#1 no verão da Marambaia
#2 Paris, em primavera
#3 Barcelona
#4 num barquinho em mar aberto
#5 na superfície lunar
#6 na Concha
#7 no meio do cortejo afro
#8 no Red River
#9 num show de Chico

#10 no ''altar''

{...} antes que não pareça
tão bom pedido {...}

idéia reaproveitada de:
http://annatalebi.blogspot.com/
~

sexta-feira, 19 de março de 2010

/suspira

soprando as folhas do meu calendário, é assim que você chega. deixando em fevereiro as nuvens pesadas com as águas de março enquanto, de modo sutil, me derrama na camisa todas as flores de abril. em rimas dos meus poetas prediletos, é assim que você fala. eu me deleito em tua língua, os textos corridos em teus dedos longos, teu charme prosaico. eu não forço a cara de espanto, eu não te aguardava. eu não escondo o brilho nos olhos, eu te ansiava. entra pela porta da frente, avança por entre as salas evitando as tábuas soltas, as portas sem oleo e me pega desarmada, sem charme, sem perfume e diz que é assim que me prefere: assim, assim, bem você. surpresa e encanto são os termos do teu contrato, e eu assino sem ler as letras minúsculas no roda pé. há de ser bom se for sempre assim, assim. bem nós dois.


{...} me abraça
me aperta
me prende em tuas pernas
me prende, me força
me roda
me encanta.
me enfeita num beijo


e então, de repente, você tem a mim
{...}
~

terça-feira, 16 de março de 2010

nota,

meu corpo é vertical logo cedo, enquanto a alma segue deitada pelos bancos dos ônibus, dos carros, pelos caminhos que faço a pé. em pé só fico quando o sol esquenta, e compenso com movimentos de quadris o que eu não movo nem em pensamento. e isto eu faço rindo, porque o cenário carece na graça o que exubera em cores. aliás, tenho rido de todo esse quadrado, esse roteiro, essa rotina. tudo é fotografar e fazer bico. tudo é bacana demais, concreto demais, perfeito demais. e eu gosto. tenho medo apenas desses semideuses, quero um homem que use crase antes de substantivos masculinos e erre meu nome uma vez por mês. eu quero saber que não sou única. assim me sinto menos culpada das minhas vírgulas fora de hora, dos meus vacilos descabidos e de todos os outros a quem o comparo. quando eu tiver tempo pra comparações, é claro. porque eu já não tenho tempo nem asas. e, sinceramente, muito tem me agradado essa coisa toda de pisar descalça o asfalto quente.

~

mil perdões

se este gosto em minha boca não for só ressaca, então eu te traí em tecidos. saiba: eu te trai em mil fios de algodão. se as imagens que se formam em lampejos forem polaroides de ontem, então - sim - eu te traí em cores. em tons de vermelho, em toda sorte de tons de vermelho, eu traí você. em tecidos tintos de vermelho, exuberante, eu me perdi de ti. e não vou te perdoar. '

~

sexta-feira, 12 de março de 2010

eu sei que você tem vontade

vê se me traz de volta seu sotaque, que meus olhos andam surdos. trate de não demorar. entre sem bater, não mudei a fechadura. ou bata. espanque. interfone. de pé no portão, grite. mais alto. e eu vou ouvir meu nome ecoar pela avenida. as vogais melódicas. consoantes trincadas. a avenida vai ouvir ecoar meu nome. e eu vou te olhar da sacada. montar meu semblante de susto. fingir que não te esperava. e eu ainda vou te olhar da sacada. como se, desde o primeiro suspiro, eu já não soubesse que era você chegando. como se eu não reconhecesse seu jeito único de chamar. venha. vai ter macarrão e molho fresco. que eu fiz pra comer só. vou fingir que fiz por fazer o seu molho favorito. come. sacia. se farta. mas vê se me traz de volta seu sotaque, sem gelo.


{...} que eu sei que você tem saudade de mim.


~

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

guizo de número quatro: Atrás da Porta (2)

já despontava a primeira estrela quando eu escancarei os portões. meus dedos na maçaneta como num gatilho, como quem abre em pandora o próprio peito. era eu minúscula, peso de papel na portinhola, como pássaro que abre a gaiola pro gato entrar. era, num delírio a seco, meu punho cerrado descendo num rosto vazio o mesmo peso dos blocos que se deprendiam no castelo às minhas costas. a fumaça do meu delírio - agora em brasa - ascendia apagando a primeira estrela com uma última. como quem cresce nas roupas que já não lhe cabia, como quem deixa voar os mapas, como quem guarda de volta em si as dores do mundo, como quem se esconde pássaro em estomago felino e se fecha num castelo pronto a desabar.


guizo de número três: hipnopedia cantante II

anda
tira essa dor do peito, anda
despe essa roupa preta e manda
teu corpo deslembrar

canta, vira a dor pelo avesso
canta.
larga essa vida assim ás tontas
deixa esse desenganar

calma.
dê o tempo ao tempo.
CALMA.

alma, põe cada coisa em seu lugar
e o dia virá,
algum dia virá sem aviso.



/SEM MAIS.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

chega de estrelas!

porque até a minha dor é narcisista.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

guizo de número dois: espero

espero estrelinhas fitas de cetim. estrelinhas que cerquem o há de meu solto por aí e arremate. espero estrelinhas saco, pacote de pensamentos. estrelinhas zíper, estrelinhas mil botões, estrelinhas fecho a vácuo. espero estrelinhas linha e uma lua acicular que se deitem em meu colo e me permitam, com mãos firmes, costurar minha sombra aos meus pés. eu espero estrelinhas ímas de geladeira e um céu placa-imantada que me sugue, enfim.

{...} me laça a alma, me leva embora'
~

sábado, 16 de janeiro de 2010

guizo de número um: hipnopedia cantante

/ alguma estrelas (as de riso mais claro, frouxo e aberto) apenas velaram meu sono com algumas canções. e, no outro dia, ao acordar eu tinha o gosto de certas melodias e a idéia fixa que alguns versos passam. e eu saía vivendo o que ditavam tais letras, sem sabê-las ao certo. foi assim, por exemplo, que recolhi junto ao tempo fragmentos de sol e colei-os de volta dentro em mim. encontro, prematuramente, a música-matriz que me deixa as pistas para a próxima busca e um medo imenso de não viver essa lembrança-quase-sonho de olhinhos abertos. Ei-la:

preciso não dormir até se consumar um tempo da gente. preciso conduzir um tempo de te amar, te amando devagar e urgentemente. pretendo descobrir, no último momento, um tempo que refaz o que desfez, que recolhe todo o sentimento e bota no corpo uma outra vez. prometo te querer até o amor cair doente, doente... prefiro, então, partir a tempo de puder a gente se desvencilhar da gente. depois de te perder, te encontro com certeza – talvez no tempo da delicadeza, onde não diremos nada, nada aconteceu. apenas seguirei com encantado ao lado teu'

sempre, Chico Buarque.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ouvindo a via láctea

se ao príncipio era o verbo, silêncio é só o que resta mais a tardinha. quando um sentimento imenso se põe revelando a noite clara - isso quando se esperava bréu - e um sem fim de sentimentos brotam num céu de outro tom, tudo o que se quer dizer são estrelas. em gênero, número e grau. e quando a isso se unem o barulho da água, da onda, do sal passando a ser areia e as luzes de uma cidade que comemora o fim - porque o começo é aposta que não se faz - não há como escolher, entre tantos sons e cores emaranhadas como fios que se soltam dos carreteis, com qual se vestir, qual exibir nesse desfile a céu aberto. então fico nua... e calada. apenas aprecio a orquestra distoante sem me aventurar a maestrá-la, eu enrolo minha língua e os dedos e não exponho nada que sinto porque, se eu já sinto tanto, se eu já não sei quanto é isso que sinto, por que dizê-lo? porém há tempo pra tudo debaixo do céu. e hoje, que a Terra já deu voltas e voltas, hoje que já não vejo o mar, desejo o sol - esse sentimento tão imenso - ressurja em nova luz, em novos tons e eu que muito estudei as estrelas posso agora transpôr os risos que a mim chegaram mais claros. e se por vezes eu me contradizer, por favor, entenda. é que são loucas todas essas luzes, essas cores e eu.

~

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Libação

Diante do impossível, inspirar-se.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

qualquer dois mil e dez

e esse ano não vai ser igual aquele que passou.
- passou

outros pecados

Lilith

Minha foto
25 anos de sol em leão. queria voltar ao tempo em que era cool escrever letra de música no perfil / cozinha, escreve, pratica boxe e é jornalista nas horas vagas / acha que "transtornada" é um nome muito bacana para quem tem TDAH, eu tenho.