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segunda-feira, 14 de março de 2011



gravei tua voz no meu tímpano
vez em quando labirinto
faço que sinto, vez em quando minto
vinho tinto, amor rosé
você
vez em quando instinto




/Martha Medeiros

~

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Tu lipa, Eu calipto

- ou uma declarção às avessas


és colorida
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu,cano.
Eu,clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu,tano.
Eu,femismo.


Luis Fernando Veríssimo

~

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

baby,

você precisa saber de mim. baby, baby, eu sei que é assim. você precisa tomar um sorvete na lanchonete, andar com a gente, me ver de perto, ouvir aquela canção do Roberto. baby, há quanto tempo! você precisa aprender inglês, precisa aprender o que eu sei e o que eu não sei mais. não sei, comigo vai tudo azul, contigo vai tudo em paz, vivemos na melhor cidade da América do Sul. não sei, leia na minha camisa:

baby, I love you.

~

encantada

Do galho mais alto daquela árvore seca, minha melodia encerrada em gaiolas testemunhava a entrada daquele homem em minha vida. Abriu meus portões em sobressalto, atravessou a varanda do meu corpo e entrou pela porta da frente com as botas imundas. Deixou pegadas cheirando a leite até o sofá, onde sentou sem cerimônia. Servindo-se de chá e biscoitos, olhou para mim como a uma torta de limão que devoraria num só pedaço. Mas, ao invés disso, deu-se por satisfeito em levar à boca um dedo melado de chantilly. Só então disse-me um 'bom dia' cordial e sem paixão, desses que se dá a quem não se conhece e despejou sob a mesinha de centro trocentas palavras entrada, saladinhas de grão-de-bico, diversos pedidos sobremesa que jamais vão saciar a fome que eu sinto das suas palavras, mas que me fariam ouví-lo falar e falar do vazio enquanto investigo seus olhos deitada no carpete aos seus pés. Mas, se ainda te posso pedir algo, saia pela porta do fundo e só volte quando a tua dor se manter estanque o suficiente para que eu te toque, porque eu tenho sede e todo o meu chão é árido onde tuas mãos tateavam.


quando você me ouvir chorar
tente, não cante, não conte comigo
falo, não calo, não falo
deixo sangrar
- algumas lágrimas bastam pra consolar -
tudo vai mal, tudo.
tudo mudou, não me iludo
e, contudo, é a mesma porta sem trinco,
o mesmo teto e a mesma lua furar nosso zinco
meu amor, tudo em volta está deserto,
tudo certo.

~

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

encantado

O silêncio dentro daquele homem era magnífico. As palavras mudas, altivas e austeras, eram de uma dignidade cega, cobravam de mim um respeito desses que só se dedica a pais severos. Todo o caminho de pedras redondas entre o portão e a soleira daquele corpo eu fiz à ponta dos pés, num Lago dos Cisnes em câmera lenta, como se eu pretendesse que o som dos meus pés contra o chão fosse tal qual canção de ninar aos ouvidos do soldado que ali repousava exausto de incontáveis batalhas. Pulso cerrado, toquei a porta com leveza tamanha que o som que tal gesto produzia pedia licença até mesmo para pedir a licença que o ato de bater na porta significa por convenção. Porém, o meu olhar alardeava sem dó – naquele tom inoportuno e petulante que as sobrancelhas emolduram – que eu arrombaria a porta, para o caso de ninguém abrir. Que eu faria festas nos jardins, bailes sem máscara, que eu cortejaria cada flor, cada espinho, cada pássaro num conluio comigo, para que o nosso desejo de cantar fizesse interferência no teu sono antes mesmo do nosso canto eclodir. Mas, à tua beira, tudo clamava para que eu aprisionasse minha melodia em gaiolas – ao menos enquanto doesse, enquanto sangrasse, enquanto você lambesse as feridas com essa tua língua gilete.

there was a boy
very estrange, enchanted boy
(...)
and then onde day,
one magic day, he passed my way
while we spoke of many things
folls and kings
this I said to him:

the greatest thing you'll ever learn
is just to love and be loved in return


ele não entendeu.

domingo, 21 de novembro de 2010

para quando você me amar

é tão teu esse meu coração selvagem quanto eu mesma tenho sido tua - em carne, osso, calor e toda aura. não sei o que em mim corre léguas até o teu mundo ou o que em você fecha as janelas enquanto eu faço festa nos jardins. importa apenas os teus comandos se são simples. não me decepciona. faz assim e não diz mais isso. fica. abra. pula o muro. arromba a porta. invada. eu vou bordar em cada centímetro teu o meu nome em fios de ouro porque em meu país já tremula uma bandeira nova com as cores que você escolheu. prometo te amar sempre em recíproca e primeiro até. não me decepciona. faz assim e não diz mais isso. entra. a porta tá aberta. senta. quer uma água? me ama. não desista de mim.

{...}


meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão, o meu som e a minha fúria e essa pressa de viver. e esse jeito de deixar sempre de lado a certeza e arriscar tudo de novo com paixão, andar caminho errado pela simples alegria de ser. meu bem, vem viver comigo,
vem correr perigo.

~

E.C.T.

Teço sonhos para nós dois, recheio com afeto e vontade de não acordar, com convites vermelhos em brasa, com suor de uma noite quente, com a fragilidade das mãos que não resistem ao tempo, do olhos que necessitam de vidros, de cabelos alvos, primogênito, de netos e de tudo o que anseio. Deixo a saudade do passado e transformo no próprio caminho. Levo na bagagem um diário seu para não esquecer nenhum passo, um espírito inundado de esperança, livre de maldade. Busco a sensibilidade para ouvir o vento cavalgar para qualquer lugar. Não importa se você não agarrará as minhas mãos e não virá comigo. O amor tem sempre razão e permanecerei eternamente acorrentado à vontade de permanecer livre. Não importa se você me abraçará forte e pedirá para que eu fique. Eu te encontro no fim da jornada. Não importa se você prometer não esperar e realmente o fizer. Eu tenho toda a natureza a meu favor, pronta para te transportar para onde eu bem entender. Não importa se você recusa as asas que eu tenho para te oferecer. A borboleta sempre escolhe sair do casulo. Não importa se você não quer a minha vida em suas mãos. Mesmo que tivesse, eu tenho tantas outras... tantas para amar-te quando não te amo.

{...} eu não vou desistir de você

estou dividindo com o mundo um amor nosso. para que não falte aos outros. para que eu receba em dobro.

~

Lilith

Minha foto
25 anos de sol em leão. queria voltar ao tempo em que era cool escrever letra de música no perfil / cozinha, escreve, pratica boxe e é jornalista nas horas vagas / acha que "transtornada" é um nome muito bacana para quem tem TDAH, eu tenho.