Sonhei contigo. Mesmo inconsciente, eu sei seguir nosso roteiro: minha chegada, sua percepção, a farsa do não querer, a dúbia certeza de que não posso, nossa roda-gigante, pega-pega, pique-esconde. Apenas o cenário era inédito... um estofado azul marinho, grosseiro e desconfortável, numa sala pequena e comprida, amarela, cheia de olhos em nós. Sua mão segurando a minha, um carinho casto em meu braço esquerdo, meu corpo inteiro ali e o pensamento voando longe, e você sussurrava três elogios, um par de convites e um só pedido: me queira. Acordei ainda com o eco do que você pede e eu, tavez, deseje. Me acostumei tanto a levar nós dois de um jeito bem nosso, bem do jeito que eu quiser, que me assusta a possibilidade de te obedecer. Eu bem que podia te querer e matar um dragão por dia só pra estarmos juntos, seus braços emoldurando meu corpo como gesso tomando a forma do molde, me cercando, gradeando, privando o oxigênio de tocar em mim. Quem sabe eu feche os olhos e te sonhe outra vez, talvez eu te ligue ou você me procure; mas neste ato eu saio de cena. Eu quero te ter, eu não quero ser sua e, se é pra te deixar assim, pra que eu vim, né?
eu não tava dormindo
justo ao contrário {...}
~
justo ao contrário {...}
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