terça-feira, 6 de abril de 2010

me faz ficar bem mais

eu vou te misturar com água e te moldar feito argila, maleável ao toque morno. vou arar você, meu terreno, arrancar as ervas daninhas (e os clichês), eu vou te escriturar em meu nome. eu vou desenhar minhas sílabas pelas suas pernas, sonetos inteiros, minhas digitais em suas costas, vou cravar meu nome à unha, vou pintar seus lábios com o batom dos lábios meus. eu vou te criar de uma costela minha e te botar pra crescer à minha beira, comer da minha comida, aprender o meu idioma, respirar o que eu deixar. eu vou te cantar as minhas canções e as canções que já são suas eu vou guardar pra mim, pra cantarolar pela estrada e lembrar da tua pele morena, dos teus cabelos, da tua beleza indo embora, do prefácio do teu gosto ficando em mim.


eu vou despir a alma e afogar a calma
SALIVANDO UM BEIJO TEU.

{...}


domingo, 28 de março de 2010

-



'eu sonho TANTO, amor, que quase
acordo ao teu lado. e dói um bocado
ver que a cama é para um só {...} ♪ '




~

sábado, 27 de março de 2010

minha cara

você tá mexendo comigo. você e essa sua cara que eu já vi na globo botaram meu juízo pra lá, futucaram meu bom senso e o deixaram sem ar. é esse seu jeito técnico de futebol, sua camisa branca, e eu toda líder de torcida levantando a poeira pra você passar, pra você subir as escadas, pra você parar na praia e vir me encontrar. você tá mexendo comigo e eu não vou deixar. não quero essa sua cara bonita, seu sorriso aberto, seu corpo monumental, não quero nada seu me olhando pelas quadras, me encarando de frente, me medindo 43. porque você tá mexendo comigo e eu não vou deixar que isso passe assim às claras. eu te quero na minha mesa de bar, no meu cabide, na minha estante, e eu quero pra já.

você vem parar na minha
que eu vou comer na sua mão'

{...}

sexta-feira, 26 de março de 2010

dez lugares pra beijar você:

#1 no verão da Marambaia
#2 Paris, em primavera
#3 Barcelona
#4 num barquinho em mar aberto
#5 na superfície lunar
#6 na Concha
#7 no meio do cortejo afro
#8 no Red River
#9 num show de Chico

#10 no ''altar''

{...} antes que não pareça
tão bom pedido {...}

idéia reaproveitada de:
http://annatalebi.blogspot.com/
~

sexta-feira, 19 de março de 2010

/suspira

soprando as folhas do meu calendário, é assim que você chega. deixando em fevereiro as nuvens pesadas com as águas de março enquanto, de modo sutil, me derrama na camisa todas as flores de abril. em rimas dos meus poetas prediletos, é assim que você fala. eu me deleito em tua língua, os textos corridos em teus dedos longos, teu charme prosaico. eu não forço a cara de espanto, eu não te aguardava. eu não escondo o brilho nos olhos, eu te ansiava. entra pela porta da frente, avança por entre as salas evitando as tábuas soltas, as portas sem oleo e me pega desarmada, sem charme, sem perfume e diz que é assim que me prefere: assim, assim, bem você. surpresa e encanto são os termos do teu contrato, e eu assino sem ler as letras minúsculas no roda pé. há de ser bom se for sempre assim, assim. bem nós dois.


{...} me abraça
me aperta
me prende em tuas pernas
me prende, me força
me roda
me encanta.
me enfeita num beijo


e então, de repente, você tem a mim
{...}
~

terça-feira, 16 de março de 2010

nota,

meu corpo é vertical logo cedo, enquanto a alma segue deitada pelos bancos dos ônibus, dos carros, pelos caminhos que faço a pé. em pé só fico quando o sol esquenta, e compenso com movimentos de quadris o que eu não movo nem em pensamento. e isto eu faço rindo, porque o cenário carece na graça o que exubera em cores. aliás, tenho rido de todo esse quadrado, esse roteiro, essa rotina. tudo é fotografar e fazer bico. tudo é bacana demais, concreto demais, perfeito demais. e eu gosto. tenho medo apenas desses semideuses, quero um homem que use crase antes de substantivos masculinos e erre meu nome uma vez por mês. eu quero saber que não sou única. assim me sinto menos culpada das minhas vírgulas fora de hora, dos meus vacilos descabidos e de todos os outros a quem o comparo. quando eu tiver tempo pra comparações, é claro. porque eu já não tenho tempo nem asas. e, sinceramente, muito tem me agradado essa coisa toda de pisar descalça o asfalto quente.

~

mil perdões

se este gosto em minha boca não for só ressaca, então eu te traí em tecidos. saiba: eu te trai em mil fios de algodão. se as imagens que se formam em lampejos forem polaroides de ontem, então - sim - eu te traí em cores. em tons de vermelho, em toda sorte de tons de vermelho, eu traí você. em tecidos tintos de vermelho, exuberante, eu me perdi de ti. e não vou te perdoar. '

~

sexta-feira, 12 de março de 2010

eu sei que você tem vontade

vê se me traz de volta seu sotaque, que meus olhos andam surdos. trate de não demorar. entre sem bater, não mudei a fechadura. ou bata. espanque. interfone. de pé no portão, grite. mais alto. e eu vou ouvir meu nome ecoar pela avenida. as vogais melódicas. consoantes trincadas. a avenida vai ouvir ecoar meu nome. e eu vou te olhar da sacada. montar meu semblante de susto. fingir que não te esperava. e eu ainda vou te olhar da sacada. como se, desde o primeiro suspiro, eu já não soubesse que era você chegando. como se eu não reconhecesse seu jeito único de chamar. venha. vai ter macarrão e molho fresco. que eu fiz pra comer só. vou fingir que fiz por fazer o seu molho favorito. come. sacia. se farta. mas vê se me traz de volta seu sotaque, sem gelo.


{...} que eu sei que você tem saudade de mim.


~

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

guizo de número quatro: Atrás da Porta (2)

já despontava a primeira estrela quando eu escancarei os portões. meus dedos na maçaneta como num gatilho, como quem abre em pandora o próprio peito. era eu minúscula, peso de papel na portinhola, como pássaro que abre a gaiola pro gato entrar. era, num delírio a seco, meu punho cerrado descendo num rosto vazio o mesmo peso dos blocos que se deprendiam no castelo às minhas costas. a fumaça do meu delírio - agora em brasa - ascendia apagando a primeira estrela com uma última. como quem cresce nas roupas que já não lhe cabia, como quem deixa voar os mapas, como quem guarda de volta em si as dores do mundo, como quem se esconde pássaro em estomago felino e se fecha num castelo pronto a desabar.


guizo de número três: hipnopedia cantante II

anda
tira essa dor do peito, anda
despe essa roupa preta e manda
teu corpo deslembrar

canta, vira a dor pelo avesso
canta.
larga essa vida assim ás tontas
deixa esse desenganar

calma.
dê o tempo ao tempo.
CALMA.

alma, põe cada coisa em seu lugar
e o dia virá,
algum dia virá sem aviso.



/SEM MAIS.

Lilith

Minha foto
25 anos de sol em leão. queria voltar ao tempo em que era cool escrever letra de música no perfil / cozinha, escreve, pratica boxe e é jornalista nas horas vagas / acha que "transtornada" é um nome muito bacana para quem tem TDAH, eu tenho.