domingo, 13 de junho de 2010

{...}

trocentas vezes li essa canção
e me prometi que eu amaria alguém assim
tão forte para poder cantá-la
tão lindo para poder vivê-la
amar alguém, nalgum lugar, como eu amo você



Nalgum lugar que eu nunca estive, alegremente além de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio. No teu gesto mais frágil, há coisas que me encerram ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto. Teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra embora eu tenha me fechado como dedos nalgum lugar. Me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre tocando sultimente, misteriosamente a sua primeira rosa. Ou se quiseres me ver fechada, eu e minha vida nos fecharemos belamente, de repente, assim como o coração desta flor imagina a neve cuidadosamente descendo em toda a parte. Nada que eu possa perceber neste universo iguala o poder de tua intensa fragilidade cuja testura compele-me com a cor de seus continentes restituindo a morte e o sempre cada vez que respirar. Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas. Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.



como nós nos amamos.

~

terça-feira, 11 de maio de 2010

sobre tanta falta

falta escrever em você. porque o gosto teu, já não mais prefácio, vai embora deixando em mim capítulos inteiros e eu preciso dizê-los. mais crucial até: é preciso que eu os viva. que eu te publique - trace minhas letras, organize, encaderne. que eu espalhe em outdoors esse gostar imenso, esse desejo e todos os desvarios. falta espalhar em você os meus beijos, a minha língua. falta ainda que você sinta cada pulsar. que explore cada milimetro desse terreno arrendado, arado, fértil. que invada, acampe, cultive. arrasto um comboio de ausências enquanto os sons das nossas canções embalam essa sede e toda sorte. falta que eu saiba qual palavra fecha esse texto. qual cor terá o ponto. que sabor vai ficar em epílogo. falta tua pele e o caminho tracejado, eu só vou saber escrever em você.







segunda-feira, 10 de maio de 2010

construirei nosso ninho {...}

há de ser bonito
há de ser infinito
há de ser sereno
há de ser perene
há de ser efêmero
há de ser pecado
há de ser sagrado
há de ser volúvel
há de ser ambíguo
há de ser altivo
há de ser impune
- há de ser insone -
há de ser escândalo
há de ser relâmpago, ciclone
há de ser exílio
há de ser retiro
há de ser luxúria
há de ser promessa
há de ser ternura


/e o mundo então saberá que ali
vive o amor mais doce'
~

domingo, 2 de maio de 2010

-


{...} a sede de ti prossegue' ♪



~

terça-feira, 6 de abril de 2010

me faz ficar bem mais

eu vou te misturar com água e te moldar feito argila, maleável ao toque morno. vou arar você, meu terreno, arrancar as ervas daninhas (e os clichês), eu vou te escriturar em meu nome. eu vou desenhar minhas sílabas pelas suas pernas, sonetos inteiros, minhas digitais em suas costas, vou cravar meu nome à unha, vou pintar seus lábios com o batom dos lábios meus. eu vou te criar de uma costela minha e te botar pra crescer à minha beira, comer da minha comida, aprender o meu idioma, respirar o que eu deixar. eu vou te cantar as minhas canções e as canções que já são suas eu vou guardar pra mim, pra cantarolar pela estrada e lembrar da tua pele morena, dos teus cabelos, da tua beleza indo embora, do prefácio do teu gosto ficando em mim.


eu vou despir a alma e afogar a calma
SALIVANDO UM BEIJO TEU.

{...}


domingo, 28 de março de 2010

-



'eu sonho TANTO, amor, que quase
acordo ao teu lado. e dói um bocado
ver que a cama é para um só {...} ♪ '




~

sábado, 27 de março de 2010

minha cara

você tá mexendo comigo. você e essa sua cara que eu já vi na globo botaram meu juízo pra lá, futucaram meu bom senso e o deixaram sem ar. é esse seu jeito técnico de futebol, sua camisa branca, e eu toda líder de torcida levantando a poeira pra você passar, pra você subir as escadas, pra você parar na praia e vir me encontrar. você tá mexendo comigo e eu não vou deixar. não quero essa sua cara bonita, seu sorriso aberto, seu corpo monumental, não quero nada seu me olhando pelas quadras, me encarando de frente, me medindo 43. porque você tá mexendo comigo e eu não vou deixar que isso passe assim às claras. eu te quero na minha mesa de bar, no meu cabide, na minha estante, e eu quero pra já.

você vem parar na minha
que eu vou comer na sua mão'

{...}

sexta-feira, 26 de março de 2010

dez lugares pra beijar você:

#1 no verão da Marambaia
#2 Paris, em primavera
#3 Barcelona
#4 num barquinho em mar aberto
#5 na superfície lunar
#6 na Concha
#7 no meio do cortejo afro
#8 no Red River
#9 num show de Chico

#10 no ''altar''

{...} antes que não pareça
tão bom pedido {...}

idéia reaproveitada de:
http://annatalebi.blogspot.com/
~

sexta-feira, 19 de março de 2010

/suspira

soprando as folhas do meu calendário, é assim que você chega. deixando em fevereiro as nuvens pesadas com as águas de março enquanto, de modo sutil, me derrama na camisa todas as flores de abril. em rimas dos meus poetas prediletos, é assim que você fala. eu me deleito em tua língua, os textos corridos em teus dedos longos, teu charme prosaico. eu não forço a cara de espanto, eu não te aguardava. eu não escondo o brilho nos olhos, eu te ansiava. entra pela porta da frente, avança por entre as salas evitando as tábuas soltas, as portas sem oleo e me pega desarmada, sem charme, sem perfume e diz que é assim que me prefere: assim, assim, bem você. surpresa e encanto são os termos do teu contrato, e eu assino sem ler as letras minúsculas no roda pé. há de ser bom se for sempre assim, assim. bem nós dois.


{...} me abraça
me aperta
me prende em tuas pernas
me prende, me força
me roda
me encanta.
me enfeita num beijo


e então, de repente, você tem a mim
{...} ♪
~

terça-feira, 16 de março de 2010

nota,

meu corpo é vertical logo cedo, enquanto a alma segue deitada pelos bancos dos ônibus, dos carros, pelos caminhos que faço a pé. em pé só fico quando o sol esquenta, e compenso com movimentos de quadris o que eu não movo nem em pensamento. e isto eu faço rindo, porque o cenário carece na graça o que exubera em cores. aliás, tenho rido de todo esse quadrado, esse roteiro, essa rotina. tudo é fotografar e fazer bico. tudo é bacana demais, concreto demais, perfeito demais. e eu gosto. tenho medo apenas desses semideuses, quero um homem que use crase antes de substantivos masculinos e erre meu nome uma vez por mês. eu quero saber que não sou única. assim me sinto menos culpada das minhas vírgulas fora de hora, dos meus vacilos descabidos e de todos os outros a quem o comparo. quando eu tiver tempo pra comparações, é claro. porque eu já não tenho tempo nem asas. e, sinceramente, muito tem me agradado essa coisa toda de pisar descalça o asfalto quente.

~

Lilith

Minha foto
25 anos de sol em leão. queria voltar ao tempo em que era cool escrever letra de música no perfil / cozinha, escreve, pratica boxe e é jornalista nas horas vagas / acha que "transtornada" é um nome muito bacana para quem tem TDAH, eu tenho.