terça-feira, 16 de março de 2010

mil perdões

se este gosto em minha boca não for só ressaca, então eu te traí em tecidos. saiba: eu te trai em mil fios de algodão. se as imagens que se formam em lampejos forem polaroides de ontem, então - sim - eu te traí em cores. em tons de vermelho, em toda sorte de tons de vermelho, eu traí você. em tecidos tintos de vermelho, exuberante, eu me perdi de ti. e não vou te perdoar. '

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sexta-feira, 12 de março de 2010

eu sei que você tem vontade

vê se me traz de volta seu sotaque, que meus olhos andam surdos. trate de não demorar. entre sem bater, não mudei a fechadura. ou bata. espanque. interfone. de pé no portão, grite. mais alto. e eu vou ouvir meu nome ecoar pela avenida. as vogais melódicas. consoantes trincadas. a avenida vai ouvir ecoar meu nome. e eu vou te olhar da sacada. montar meu semblante de susto. fingir que não te esperava. e eu ainda vou te olhar da sacada. como se, desde o primeiro suspiro, eu já não soubesse que era você chegando. como se eu não reconhecesse seu jeito único de chamar. venha. vai ter macarrão e molho fresco. que eu fiz pra comer só. vou fingir que fiz por fazer o seu molho favorito. come. sacia. se farta. mas vê se me traz de volta seu sotaque, sem gelo.


{...} que eu sei que você tem saudade de mim.


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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

guizo de número quatro: Atrás da Porta (2)

já despontava a primeira estrela quando eu escancarei os portões. meus dedos na maçaneta como num gatilho, como quem abre em pandora o próprio peito. era eu minúscula, peso de papel na portinhola, como pássaro que abre a gaiola pro gato entrar. era, num delírio a seco, meu punho cerrado descendo num rosto vazio o mesmo peso dos blocos que se deprendiam no castelo às minhas costas. a fumaça do meu delírio - agora em brasa - ascendia apagando a primeira estrela com uma última. como quem cresce nas roupas que já não lhe cabia, como quem deixa voar os mapas, como quem guarda de volta em si as dores do mundo, como quem se esconde pássaro em estomago felino e se fecha num castelo pronto a desabar.


guizo de número três: hipnopedia cantante II

anda
tira essa dor do peito, anda
despe essa roupa preta e manda
teu corpo deslembrar

canta, vira a dor pelo avesso
canta.
larga essa vida assim ás tontas
deixa esse desenganar

calma.
dê o tempo ao tempo.
CALMA.

alma, põe cada coisa em seu lugar
e o dia virá,
algum dia virá sem aviso.



/SEM MAIS.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

chega de estrelas!

porque até a minha dor é narcisista.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

guizo de número dois: espero

espero estrelinhas fitas de cetim. estrelinhas que cerquem o há de meu solto por aí e arremate. espero estrelinhas saco, pacote de pensamentos. estrelinhas zíper, estrelinhas mil botões, estrelinhas fecho a vácuo. espero estrelinhas linha e uma lua acicular que se deitem em meu colo e me permitam, com mãos firmes, costurar minha sombra aos meus pés. eu espero estrelinhas ímas de geladeira e um céu placa-imantada que me sugue, enfim.

{...} me laça a alma, me leva embora'
~

sábado, 16 de janeiro de 2010

guizo de número um: hipnopedia cantante

/ alguma estrelas (as de riso mais claro, frouxo e aberto) apenas velaram meu sono com algumas canções. e, no outro dia, ao acordar eu tinha o gosto de certas melodias e a idéia fixa que alguns versos passam. e eu saía vivendo o que ditavam tais letras, sem sabê-las ao certo. foi assim, por exemplo, que recolhi junto ao tempo fragmentos de sol e colei-os de volta dentro em mim. encontro, prematuramente, a música-matriz que me deixa as pistas para a próxima busca e um medo imenso de não viver essa lembrança-quase-sonho de olhinhos abertos. Ei-la:

preciso não dormir até se consumar um tempo da gente. preciso conduzir um tempo de te amar, te amando devagar e urgentemente. pretendo descobrir, no último momento, um tempo que refaz o que desfez, que recolhe todo o sentimento e bota no corpo uma outra vez. prometo te querer até o amor cair doente, doente... prefiro, então, partir a tempo de puder a gente se desvencilhar da gente. depois de te perder, te encontro com certeza – talvez no tempo da delicadeza, onde não diremos nada, nada aconteceu. apenas seguirei com encantado ao lado teu'

sempre, Chico Buarque.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ouvindo a via láctea

se ao príncipio era o verbo, silêncio é só o que resta mais a tardinha. quando um sentimento imenso se põe revelando a noite clara - isso quando se esperava bréu - e um sem fim de sentimentos brotam num céu de outro tom, tudo o que se quer dizer são estrelas. em gênero, número e grau. e quando a isso se unem o barulho da água, da onda, do sal passando a ser areia e as luzes de uma cidade que comemora o fim - porque o começo é aposta que não se faz - não há como escolher, entre tantos sons e cores emaranhadas como fios que se soltam dos carreteis, com qual se vestir, qual exibir nesse desfile a céu aberto. então fico nua... e calada. apenas aprecio a orquestra distoante sem me aventurar a maestrá-la, eu enrolo minha língua e os dedos e não exponho nada que sinto porque, se eu já sinto tanto, se eu já não sei quanto é isso que sinto, por que dizê-lo? porém há tempo pra tudo debaixo do céu. e hoje, que a Terra já deu voltas e voltas, hoje que já não vejo o mar, desejo o sol - esse sentimento tão imenso - ressurja em nova luz, em novos tons e eu que muito estudei as estrelas posso agora transpôr os risos que a mim chegaram mais claros. e se por vezes eu me contradizer, por favor, entenda. é que são loucas todas essas luzes, essas cores e eu.

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Libação

Diante do impossível, inspirar-se.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

qualquer dois mil e dez

e esse ano não vai ser igual aquele que passou.
- passou ♪

Lilith

Minha foto
25 anos de sol em leão. queria voltar ao tempo em que era cool escrever letra de música no perfil / cozinha, escreve, pratica boxe e é jornalista nas horas vagas / acha que "transtornada" é um nome muito bacana para quem tem TDAH, eu tenho.