sexta-feira, 13 de junho de 2008

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o amor é graça.
ele dá e passa.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

VIII / X

O principizinho, apesar da boa vontade do seu amor, logo duvidara dela.
Tomara a sério palavras sem importância, e se tornara infeliz.
       
       
Não quero feri-los com minhas palavras,
porém é bem verdade o que aqui conto.
Venho aos pedaços, como se dividida em sílabas, informá-los que o amor morre!
E, digo mais, isto é indolor.
Como uma perna amputada, que já não faz mais parte do corpo,
enfiar facas em amor morto não dói!
Porém, vê-lo necrosar célula por célula, eis o que não suporto.
E - pra não dizer que não falei em Chico -
doídas são as fisgadas no membro que já foi decepado.
Meu pequeno partiu
/cansou dos meus vícios.
Foi correr universo, deixar pegadas na poeira de outra estrela,
foi cativar.
Foi, pra estar longe.
Sei da escolha e dos motivos, mas, egoísta e fútil,
ainda peço que não vá, que não durma.
Porque tenho medo de não estar em um de seus sonhos.
Tenho medo que, ao abrir a porta,
ele não me reconheça.
Tenho medo de sufocá-lo.
Tenho medo que ele aprenda a respirar sem mim.
       
       
Eu fui uma tola. Peço-te perdão. Trata de ser feliz.
É claro que eu te amo.
[...]
Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Vai-te embora.
Pois ela não queria que ele a visse chorar.
Era uma flor muito orgulhosa.
       
       

sábado, 7 de junho de 2008

être comme la rivière quoi coule II

Seguindo um curso natural, quando um rio desemboca no mar, outro aflora em algum lugar. E vem d'um primeiro rio, que evapora, a água que, depois, preciptará e transformará um córrego raso numa corredeira. Não ousaria tanto. É este texto um mero afluente de um que veio antes e que ainda será perene quando, nos tempos de estio, isto aqui for só uma poça lamacenta. Posto que palavras são só gotas d'água, desemboca aqui um texto sobre o que aprendi seguindo à tua margem. Sobre contornar pedras e ultrapassá-las, pois és tu maior que estas. Sobre ser, pois somos, caminhos de barcos. Sobre vê-los passar com suas velas, sobre naufrágios. Sobre ser sobre-humano. Saber seguir, fluir, deixar seguir, reter, amar. Um dia, quando da morte de Narciso, águas doces tornaram-se um cântaro de lágrimas salgadas. Ao ser interpelado pelas oréiades sobre a beleza do tal moço, o rio balbuciou: Nunca tinha percebido que ele era belo ... todas as vezes que ele se debruçava sobre as minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, a minha própria beleza refletida.


Num conta-gotas, eis aqui cada pedaço de víscera. É tudo que sinto.

História de Uma Gata

Da infância, não trago na memória quadros sobre prateleiras. Lembro só do chão de terra, dos joelhos ralados, de quantas vezes mamãe me trouxe - pelos cabelos - à realidade: eu era uma mocinha. Da janela, via os moleques sem camisa, jogavam bola na lama; queria ser como eles, eu queria fazer pipi de pé. Consta lá no manual, entre os possíveis defeitos, qualquer coisa sobre Complexo de Castração, é normal entre bonecas. No espelho, a porcelana tomava forma. Como é cruel a arte de se moldar uma dama! Começo a gostar dos vestidos, do carmim, dos garotos. Mas nunca me acostumei com soutiens. Lembro quando andávamos pelas ruas que ainda estão a ladrilhar, eu e outra princesa de Além Mar. Ríamos dos contos, das fadas, debochávamos dessa fábrica de Amélias em série. Caímos da prateleira. Descobrindo vestidos mais curtos, carmins mais rubros, garotos mais tontos. Descobri Hollywood. Água Oxigenada. Souborne. Avalon ~ . Soutien com enchimento. Conciliando meu lugar na revolução e um lugar na estante, descobri Ra i sa. Veio o primeiro príncipe e ele era sapo. O segundo também. Lá pelas tantas me apareceu um príncipe beeem príncipe. Descobri que não gosto da realeza. Gostei de um bandido, mas este se foi e nada se manteve erguido pelo caminho que ele abriu. Descobri a desilusão. Alimentada. Acariciada. Aliciada. Acostumada. Fico em casa, não tomo vento. Da janela, vejo os meninos e os violões. Descobri, e reconheço felinos. À milhas de Além Mar, descobri a solidão. Mesmo com a força bruta, freira ou puta, toda fêmea é uma mulher. Reinando em tanques, inflamando palanques, porras loucas, filhas de outras, o buraco ainda é no mesmo lugar. Pagu é mulher e quer ser amada. Toda mulher sonha com o clássico final feliz em Paris. Toda mulher quer ser salva. Eu sou mulher.


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Créditos ao 'Manual TinTin', à Dandara e Carrie.

domingo, 1 de junho de 2008

Se te queres matar, mata-te.

A Santa cantava alto no meu radinho, abafando os gritos de dor da vizinhança. Fui até a varanda, na rua corriam crianças, os carros chegavam com as sirenes nas alturas, a rua parava pra ver, o porteiro me gritava lá no play. Chamei o elevador, ele não veio. Desci correndo as escadas enquanto amarrava o vestido. Corri entre os carros e, debruçada no para-peito da garagem, me arrependi de ter estado ali. Havia um homem estendido no chão do prédio em frente. Miolos, sangue, lágrimas ... tudo escorrendo, sujando as pessoas que ali choravam, que prestavam socorro e aquelas que pararam pra ver /é tão cruel a curiosidade humana. Eu via a viúva implorar aos céus, ela pedia que o tempo voltasse. Eu via alguém falar de uma criança - era aniversário do menino. Eu via o pessoal da igreja ao lado falar em heresia. Eu via a polícia procurando culpados ou certificando a ausência destes. Acidente? Proposital? E eu me via solta em perguntas que ninguém ira responder. Quantas vezes ela disse não viver sem ele enquanto ele ainda vivia? Quantos aniversários do filho ele não passou na janela olhando lá pra baixo? Quanta dor leva alguém a se render assim? Quantas vezes Deus parou pra confortá-lo? Quem tem culpar em querer morrer? Eu, olhando aquele homem morto, só queria falar em hipocrisia. Este homem, com nome e família, teve a coragem pra fazer aquilo que todos nós planejamos durante o banho.
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Vivam e ouçam Álvares de Campos na voz de Autran.

     

Morrem,
no mesmo lugar, pelo mesmo veneno,
um prícipe e uma rainha.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
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Vão dizer que são tolices, eles não sabem da dor.
Não há em mim o que queira estar longe de você
... só não aceito não te fazer feliz.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Selena ~

Capítulo I, da Criação
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Traçou um perfeito círculo num papel laminado em prata. Pegou a tesoura e foi cortando, cuidando pra que não ficassem arestas, rebarbas, vacilos; deslizava o objeto cortante como se ele tão somente fosse capaz de seguir o tracejado, sem agredir o papel, por assim dizer. Seguia com o esmero de quem sabe estar realizando uma das mais belas obras de sua infinda existência, quiçá a de maior brilho, beleza, magia, mistério. Lembrou-se então de um antigo feito seu, assaz belo, porém inacabado; um papel azul de um escuro sem fim, salpicado por um sem número de pontinhos de luz que sorriam [só pra raros]. Colou então seu novo projeto, colou com uma desses adesivoss que desgrudam sem danificar, afinal, era apenas o teste. Mas era de um brilho imenso, era tamanha beleza, era pura magia e mistério, era tanto que, não havia dúvidas, precisava sê-lo por todo o sempre. Agora, entregue aos cuidados do firmamento, a Deusa a batizou: Lua.
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Capítulo II, das Metades (Eclipse Oculto)
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Eram dois. Duas metades? Talvez. O fato é que eram só os dois e um silêncio ensurdecedor. Ele, perdido em seus próprios pensamentos. Ela, tentando, a qualquer custo, ouvir as palavras que ninguém ousava dizer. Era de um vazio ... E, talvez por não ter o que dizer, mas muito incomodado com o silêncio mordaz, ele apontou paro céu e disse, pau sa da men te: vê lá, hoje ela não quis ser vista em plenitude; ainda assim ... é sua'. Ela, encantada e aflita, permanecia calada, o que poderia dizer? Ele balbuciou mais palavras soltas, um eu te amo e qualquer coisa sobre inocência e burrice, qualquer coisa que tornou o silêncio, antes perfurante, agora, preferível. E a lua lá, depois de guiar navegadores e andarilhos, organizar oceanos, inspirar poetas, agora preenchia o vazio dos amantes que só sabem amar pela metade.
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Capítulo III, de Galileu
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E, no céu de Ícaro, a lua ainda brilha. A Deusa, mãe generosa, entregou sua criação aos homens. Esses, julgando-se donos do que só podem contemplar, presenteiam suas [e]namoradas como se fosse a lua um frio diamante. Essas, contentando-se em apenas contemplar o que a elas pertence, deixam-na no céu e esperam, aflitamente, que a mesma se encha de graça. Dos galanteios à corrida espacial: um passo. E, a passos livres de gravidade, pisaram na lua, fincaram bandeiras trêmulas, profanaram com ciência e ceticismo o que fora um dia dos errantes, dos poetas, dos que amam. Hoje, ela apareceu cheia de si, cheia de ser só um pedaço de papel prateado no céu.
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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Chuviscado

- E, de tão completa, trans bor da!

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O céu lá fora é gris, a chuva caindo me convida pra dançar.
E eu vou.
E os pingos de água vêm de cima do céu pra cair em mim ...
descer pelo corpo, por entre a blusa branca e se mistura com
o suor e se mistura com a alma pra lavá-la ... tudo no curto
tempo que sobra entre cair e evaporar /tsss.
E a água empossa o chão da rua e é meu palco.
E eu danço.
E eu canto.
E eu seguro tua mão.
Porque as notas, até mesmo as da chuva no telhado, não me soam
as mesmas quando tu não canta o que elas dizem.
Me convida pra sentir um tango? E elas vem vindo, correndo,
em saltos, porque a chuva é fria quando as mosqueteiras não me
passam calor. Esses dias eu parei pra pensar: eram três,
mas tem D' Artagnan ainda ... e a chuva, quando se junta
ao [meu] Sol, sabe fazer cores como ninguém.
E, esquecendo que a chuva fria também faz gripar,
eu levaria a minha vida pra dançar comigo .. ele gosta
quando eu o jogo pro alto
[como se vindo de mim, fosse tão alto assim].
Ó, a chuva vai afinando, cai uma gota aqui,  ­   ­     ­   outra lá ...
e corremos todos nós em busca dos últimos pedaços de chuva.
Estiou. Hm ... agora um cobertor. Pra que?
Eu tenho vocês.


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Só sei que vai chover, os pingos saem de mim (8)'

domingo, 18 de maio de 2008

Completa.


A começar pelos sonhos. Esses foram os primeiros encaminhados ao almoxarifado. De ontem em diante, voltei a pensar o que eu sempre soube: um dia, qualquer dia ... é hoje; fui e desenhei meu primeiro sonho, e é com se ele sempre tivesse estado comigo, foi apenas uma formalização burocrática. Hoje, em definitivo, eu ando sobre o meu sonho, ele se deita aos meus pés [Ad Infinintum]. Quanto ao sonho number two ... hm ... esse falta saber qual é. Mas, entre todas as dúvidas, fica a certeza plena de lutar até o fim pra chegar onde quer que eu deseje estar. Força e capacidade para tanto não hão de faltar. E, enquanto eu tentava pôr pra dentro o que faltava, havia qualquer coisa impedindo, qualquer coisa forçando as paredes, travando a garganta. Dois dedos na garganta, oito no teclado, cada letra vomitada, cada parte de tudo que eu pensava foi dito: não preciso pensar mais! Não é ódio, é nojo. Era. Hoje é me sentir leve, é estar livre de tanta lama, tanto peso. Completa, então? Não, não ainda. Faltava alguém naquele apartamento, faltava aqueeela pessoa a quem eu quis ligar quando o tatuador disse 'olhe, está pronto'. Eu quis acreditar que teu jeito não me acrescentava, mas eu perdi um pouco de mim em todo esse tempo que não a tive. Passou. Enfim, completa. Plena no desejo de dizer sim aos meus desejos, de mergulhar de cabeça [me atiro do alto]. De arcar com meus erros, de pagar meus preços, assumir meus pecados [que me atirem no peito]. Agora só paro quando alcançar o infinito com a palma da mão [da luta NÃO me retiro].
Mas eu tô taaão feliz, dizem que o amor atrai.

sábado, 17 de maio de 2008

Não me nada.

... deixa pra lá!


Eu vou, Adeus.
Meu coração já se cansou
de fal si da de ~

Lilith

Minha foto
25 anos de sol em leão. queria voltar ao tempo em que era cool escrever letra de música no perfil / cozinha, escreve, pratica boxe e é jornalista nas horas vagas / acha que "transtornada" é um nome muito bacana para quem tem TDAH, eu tenho.